sexta-feira, 27 de abril de 2007

Paradoxo 7 e 14 de Julho Auditório Municipal da Flamenga

A peça de teatro Paradoxo é um espectáculo que se engloba no género do teatro do absurdo, no qual a realidade é retratada de uma forma invulgar. Trata-se de um estilo do teatro moderno que utiliza para a criação do enredo, das personagens e do diálogo, elementos chocantes do ilógico, com o objectivo de reproduzir directamente o desaire e a desorientação em que estão imersos o ser humano e a sociedade.
Pretende-se que seja um espectáculo ousado, apoiado por um suporte multimédia, que abordará temáticas actuais e controversas, como o aborto, a infidelidade, a hipocrisia e a morte de uma forma peculiar e quiçá insólita. Uma apresentação que poderá abalar a susceptibilidade do público mais sensível…
À semelhança das personagens, o guarda-roupa é arrojado, dispondo de um toque de vanguarda, ao mesmo tempo que traduz o carácter inusitado e revelador do enredo.
A metáfora da imobilidade humana é visível através da rigidez das saias dos figurantes, enquanto que as cores emanam também um significado contextual, nomeadamente, o vermelho que representa o sangue e a mácula e o preto e o branco que simbolizam os extremos, como o dia e a noite, o imaculado e o impuro.
O hibridismo dos figurinos está directamente relacionado com as diferentes personagens que cada homem e mulher interpreta na sua vida social, as suas atitudes, os gestos, as convicções, as emoções, que não traduzem as características do sexo, mas traduzem o carácter da alma...
No centro da trama estão dois casais, Violeta e Xavier, Laura e Benjamim, infiéis, dissimulados, vazios e amargurados, conduzidos pela Morte e pela Loucura à lucidez…
É difícil aceitar a vida, mas a morte…
Com encenação de Miguel Mestre, Paradoxo abraça o público de uma forma extasiante, apresentando-se como uma lufada de ar fresco capaz de cortar a respiração…

Um comentário:

Ana disse...

Preparem-se... Será, certamente, surpreendente!